Cândido Guerreiro


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HOMO

Penso. Verbo, sou uma voz sonora…
Abalo os mundos, pelo céu alastro…
Asa e fogo. Crepito e subo. Um astro
A arder, errante, pela noite fora.Transcendo o infinito, Zoroastro,
Jesus ou Buda a procurar a aurora
Do dia eterno, enquanto a dor clamora:
- «Deus passou por aqui: segue-lhe o rastro…»

O soluço imortal! O grito amargo,
Vare embora os abismos, não me assombra
E arremesso-me além! mais alto! e ao largo!

E Deus? Como atingi-lo? Dilacero
A sombra onde se oculta e – ó desespero,
Ó voo inútil – não se acaba a sombra… 

(Cândido Guerreiro / 1871-1953)

12 Comentários

Filed under gente, Património, Poesia, S. Sebastião

12 respostas a Cândido Guerreiro

  1. Palma

    Almeida fizeste muito bem ter trazido aqui o grande e esquecido poeta louletano (Alte) Cândido Guerreiro. Vou propôr na Casa da Cultura fazermos uma noite de poesia dedicada ao nosso ilustre poeta. Palma

  2. Rosa

    Quando vou a Alte fico sempre deliciada com as quadras escritas nos velhos azulejos da Fonte Grande. Não há dúvida que devia ser recordado e ensinado aos mais novos. Rosa

  3. PAULO

    As gerações mais novas não apreciarão este estilo de peosia no entanto é uma questão de se lhes mostrar nas escolas. Não sei se o fazem ou não. Pelo menos no seu concelho deveria ser ensinado. Paulo

  4. urubusputanus

    e o que é o rastro o qual seguiu Deus? o vento…

  5. Urubu; é pois, isso ou o seu contrário!
    Paulo; esse é um imperativo cultural concelhio e não apenas em relação a este poeta. Igual tratamento escolar merecem muitos outros que por vida e feitos exigem ser estudados pelos nossos jovens. Assim encontrariam as raizes que, frequentemente, lhes faltam!
    Pequena nota que ajuda à compreensão do texto: Zoroastrismo – doutrina religiosa de Zoroastres (reformador da antiga Pérsia séc. VIII e VII a. C.), segundo a qual a origem de tudo se devia a dois princípios opostos, o Bem (Ormuzd) e o Mal (Ariman).

  6. Liliana

    .. dois príncipios opostos mas sempre interligados …
    ………………………………………………

    e tu murmuras: – bem-amado, toma
    este vinho de Chipre, e que afrodite.
    com um forte e capitoso aroma.
    a boca te perfume e o sangue agite .
    …………………………………………………..

    Merece sem sombra de dúvida ser lembrado … de boa terra, melhores gentes …

  7. A todos; o conhecimento e sua busca infinda que pode, para aquele que se compraz pragmático com o saber tido comunmente por útil, ser visto como a equiparação à suprema divindade. Leio que Cândido Guerreiro confirmou que a sombra permanece, logo a busca do saber continua… Isso é bom!

  8. Jorge

    Parabéns pelo seu excelente blog. Óptimo visual, imparcialidade nos elogios e denúncias e…que melhor elogio poderei fazer quanto aos temas musicais do que lhe dizer que mantenho sempre a página do blog aberta enquanto navego pela net para nunca deixar de ouvir a suavidade e qualidade das músicas escolhidas? Se eu estiver em Loulé no próximo ano vou fazer campanha eleitoral a seu lado dando-lhe o meu apoio!!!

  9. Jorge; deixe-se disso… ainda bem que encontramos quem se identifique com o “mix” que escolhemos por também nos agradar!
    Difícil é reunir a informação actual e intemporal que demonstre aquilo que aprovamos e desejamos. Como “cada um é como cada qual”, limito-me a expôr aquilo que rascunho, vestido com aquilo de que gosto e partilho-o!
    Há muitos importantes vazios na internet sobre a nossa cultura, das artes às letras, passando pela própria História… é importante, portanto que, por via dos Blogues, os nossos valores e feitos sejam trazidos à rede.
    Sobre o poeta maior de Loulé – o Cândido Guerreiro de Alte, um irrequieto doutrinário e sua matriz clássica, que me diz?
    Saiba que o escolhi para funcionar como contraponto à personalidade de que hoje tratará o “Laboratório da Memória”: Raúl Pinto e com isso desejei mandar um sinal aos responsáveis pela Cultura na C.M.L. para os vultos maiores, sempre esquecidos.
    Será que Cândido Guerreiro se encontra divulgado como a sua obra merece?

  10. Jorge

    Na Escola Profissional com o seu nome, existente na sua terra natal, tanto quanto sei, ele é sempre recordado sendo os alunos instigados a fazerem trabalhos sobre o poeta. Claro que a autarquia nunca devia deixar de homenagear os seus cidadãos ligados às artes e à cultura. Seria uma forma de atrair alguns jovens para a leitura e o conhecimento. Cândido Guerreiro nutria grande amor pela sua terra. Tanto assim que recusou um lugar, para que foi nomeado, em Haia. E, como bem revela, o poema que transcrevo:
    Minha Terra

    Minha Terra embalada pelas ondas,
    Lindo país de mouras encantadas,
    Onde o amor tece lendas e onde as fadas
    Em castelos de lua dançam rondas…

    Oh meu Algarve, quero que me escondas…
    Que na treva da morte haja alvoradas!
    Hei-de sonhar com moiras encantadas,
    Se eu dormir embalado pelas ondas…

    Quando o sol emergir detrás da Serra,
    Sempre será… da minha terra
    A fecundar-me o chão da sepultura…

    Ao pé dos meus, na minha aldeia querida,
    A morte será quase uma ventura,
    A morte será quase como a vida…

  11. Jorge; Sublime recusa, explicando bem onde está o seu Amor!

  12. Juvenal Nunes

    A melhor homenagem que se pode prestar a um autor é a divulgação da sua obra proporcionando a venda pública dos seus livros.Procurei os deste autor no norte do país, no seu Algarve natal e não estavam à venda.

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