A “Voz de Loulé”: o negócio e o símbolo!

Nunca foi fácil negociar com José Maria da Piedade Barros… (que o digam aqueles que com ele negociaram). Tal foi a marca pessoal e a dedicação sobre-humana colocada em tudo aquilo que produziu!!!!
O mercado e seus critério avaliativos haviam de dificultar o negócio de transferência deste emblemático título louletano. “A Voz de Loulé”, que neste blog tem merecido diversas análises, deveria sobreviver ao seu fundador e várias foram as fórmulas apresentadas para a transferência de mãos, acabando por ser acolhida aquela que foi reconhecida como a “transição tranquila” e que honraria o fundador… (!!!!)
Sete mil e quinhentos contos vindos da América e a esperança (não escrita no acordo de negócio) de um arendamento mensal da sede por 750€ foram os termos do negócio de aquisição do título, do equipamento e do arquivo… em suma, do património do Jornal!
Habilidades de contabilista levaram a que aquilo não escrito fosse ignorado e o arrendamento da sede foi, facilmente trocado por outro espaço mais barato: 300€ e ali bem perto, no Centro Comercial!
Contava o meu amigo José Maria com uma pensão mensal, a que aliás tem direito, e foi enganado!
Prometeram-lhe a homenagem que merece e não a irá ter, porque, agora perante este cenário nada poderá dizer… Cumpriu-se a letra do acordo, mas será que teremos o mesmo “Voz de Loulé”?
Quero expressar a minha solidariedade à família Barros e lastimar terem acreditado nas palavras proferidas e não terem lido atentamente o que ficou escrito. Terão sido enganados?





Bem haja ao Ssebastião por fazer serviço público. Aproveito para sugerir que se mude o nome de tão apetecível jornal local de “A Voz de Loulé” para “A Voz da Câmara de Loulé”. Penso que ficaria mais adequado ao belo instrumento de propaganda em que a “coisa” se tornou.
Felicito-o mais uma vez pelo projecto das rolhas de cortiça. A si e a todos os alunos envolvidos no projecto.
Caro João; ser o “Voz de Loulé” uma voz do poder instalado não é novidade de hoje… foi-o sempre e a par de algum bairrismo populista. De forma directa ou por via da publicidade este como os outros títulos locais radicam em volta do poder autárquico e dele são dependentes.
No caso em análise tratou-se de uma aquisição de particulares com laços familiares a responsáveis do Executivo tendo com Director de retaguarda um chefe de divisão que acredito realizar esse trabalho apenas por vontade pessoal e não em cumprimento de funções laborais. Também lhe reconheço as qualidades para a gestão da transição e sei que não tem responsabilidades negociais, limitando-se à área editorial e logística.
Lamento saber que as expectativas do Sr. José Maria sairam goradas por ter confiado em promessas verbais e ter colocado a Palavra Dada acima da Palavra Escrita. É neste contexto que compreendo a sua indignação!
Sei que não é de hoje essa questão da voz do “dono”, mas não deixo de olhar com imensa preocupação a bonomia com que os media locais acabam por servir de instâncias de reprodução da ideologia dos poderes dominantes. Aos media pede-se que informem com isenção e com o máximo de imaparcialidade possíveis e que sirvam os seus leitores coisa que infelizmente nem sempre acontece. Chega-me a dar algum enjou a quantidade de vezes que a figura do Sr. Presidente da Câmara aparece fotografado nas páginas de tão ilustre jornal. Não seria isso motivo de preocupação também para quem se orgulha da profissão de jornalista? Atenção, que não confundo a árvore com a floresta e reconheço que há quem faça jornalismo de eleição. Mas perante o actual estado de coisas não posso deixar de ficar preocupado. Sei que não é a preocupação central do post, mas também não tem nada de preocupação periférica. Confesso que quando compro alguns dos jornais locais (não todos), muitas vezes as tripas dão-me a volta ao estômago. Cumprimentos.
Sou assinante do Jornal há mais de dez anos, tenho os meus pagamentos de assinatura feitos até ao final de 2008. A partir dessa data deixarei de ser assinante. Não pelo custo da assinatura. Antes pelo servilismo demonstrado pela direcção do Jornal em relação ao poder autarquico. Um periódico pertencente à Câmara de Loulé não desempenharia melhor o papel de veículo de propaganda dos feitos heróicos do Sr. Presidente. Não condeno que se propague a obra feita. O que critico ausência de noticia sobre a obra não feita ou sem perspectiva. É essa que gostaria de ver no Jornal A Voz de Loulé. Notícia também sobre o parqueamento da cidade destinado a viaturas da Câmara e bem guardado por agentes municipais implacáveis na sua função; noticia sobre o número de viaturas ao serviço da Câmara, sua classe e seu destino; notícia sobre a aberração na localização das passadeiras para peões e seu funcionamento num total desrespeito por quem paga rios de dinheiro para fazer andar uma viatura nas vias públicas; noticia sobre a burocratização dos serviços camarários.
Mas…não! Deixemos isso para os outros jornais não vá o poder autárquico zangar-se com a gente. E eu que pensava que era só eu que me chocava com estas coisas. Afinal o Sr.João Martins e o Sr. Ssebastião pensam como eu. Será que estamos errados?