O “Naicinho” trabalhou na Botica do “Dr. Cadeiras”!

2009 Janeiro 30

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Pharmácia Santos, casa térrea de fachada branca, frente à Igreja... Foi em 1961 baptizada de Farmácia S. Francisco e nela trabalharam o Naicinho, o Helder, o Carlinhos e o Filhó, durante os nove meses pertença de Emídio do Carmo Chagas, que a transferiria para Olhão! Imagem: Fototeca Municipal de Loulé

Conta-se que Santos era assediado, quase diariamente, com o mesma pergunta:

- Então, já é Doutor?

Fosse a cliente ou passante, em particular junto da Taberna do Semião, ou noutro lugar, dava a mesma resposta:

- Não, ainda me faltam umas cadeiras!

 

Uma manhã, saiu mobília nova, de uma carroça para a Farmácia…

…e, por todo o Largo se ouviram os gritos:

- O Santos é Doutor!!! 

Doutor ou não, o Santos viria a vender em 1961 a farmácia a Emídio do Carmo Chagas, proprietário da antiga Farmácia Confiança (que baptizara de Chagas) e se situava no mesmo Largo Dr. Bernardo Lopes. Da Farmácia Chagas à Farmácia S. Sebastião era o tempo de fazer a Rua 5 de Outubro – um saltinho – assim, rodava os 4 ajudantes e mantinha as duas farmácias! Para mais Emídio Chagas havia preparado desde os 10 anos o seu “Naicinho”, um rapaz vivaço e interessado, já maduro, com 16 anos, e muito entendido em doenças e panaceias. Foi sem dificuldades que reorganizaram a velha botica e se tranferiram para Olhão onde abriram a Farmácia Olhanense!

Agora que o amigo Inácio Manuel Leal Mendes nos deixou e todos o recordamos e alguma atenção lhe devemos… Que melhor deixar-vos um excerto das palavras gratas do neto do seu único patrão,  em mais de 50 em volta de medicamentos, cuja leitura completa pode ser feita no próximo número de “A Voz de Loulé” ?

“Parte, assim, poucos dias depois de ter completado 64 anos de idade, um Homem Bom, um verdadeiro Pai para aqueles que menos tinham e menos podiam; a que o seu espírito de entreajuda e a sua consciência de Homem Bom, ditava, sempre, a ajuda-los e a acarinha-los, como ele sabia.

Foi, sem margem para dúvidas, um lídimo cumpridor da quadra aleixoana que diz:

O mundo só pode ser

Melhor do que até aqui,

Quando consigas fazer

Mais p´los outros que por ti.

Inácio faço votos para que lá em Cima a tua vida seja mais pacífica e menos agitada, do que aquela que levaste nos últimos anos.

Obrigado por tudo e Descansa em Paz!

Em nome da minha família só me resta agradecer-te toda a tua entrega, dedicação, lealdade e amizade, bem como todo o teu profissionalismo e saber evidenciados e praticados por ti, consecutivamente, ao longo de mais de cinco décadas.” 

(João Romero Chagas Aleixo, in “Voz de Loulé”, 02/02/2009)

10 Respostas leave one →
  1. 2009 Janeiro 30
    João Chagas Aleixo permalink

    Prezado Prof.,

    se me permite, apenas três pequenas correções.

    O nome completo do Naicinho era Inácio Manuel Leal Mendes, e não Martins.

    Trabalhou para o meu avô e, posteriormente, para a minha Mãe durante 52 anos e meio – Novembro de 1955 a Maio de 2008 – e não durante 54 anos.

    O meu avô, Emídio do Carmo Chagas, não era Director Técnico das duas Pharmácias, e nem o podeira ser. Passo a explicar.

    Nessa altura esse cargo não era preciso para abrir uma Pharmácia. O meu avô tinha apenas a quarta classe. Aprendeu com a prática, primeiro numa Farmácia de Tavira, e, depois na Farmácia Pinheiro, em Loulé.

    Passado algum tempo adquiriu as duas Pharmácias.

    Abraço.

  2. 2009 Janeiro 30

    Amigo João; tem razão, existiam erros na versão inicial que só com a sua ajuda podiam ser sanados e já foram.
    Esta história de uma vida cruza-se com muitas outras vidas louletanas, avultando a do seu avô, que pelo que fica aqui expresso deve ter sido muito empreendedor e bom mestre da sua arte.
    Conto publicar amanhã uma fotografia do Inácio e do Filhó na Farmácia S. Francisco!

  3. 2009 Janeiro 30
    Tó Clareza permalink

    Bonita homenagem ao homem bom e dedicado funcionário da Farmácia Chagas Inácio, para todos nós o Naicinho. Bem escolhida também a foto do Largo (hoje de S. Francisco) com a farmácia bem visível. Ainda tive o prazer de conhecer essa farmácia já nos seus últimos anos e para além do Inácio um outro funcionário de nome Francisco (O eterno Xico) para os amigos. Longos serões se faziam na barbearia do meu pai e muitas vezes já altas horas da madrugada, algumas visitas ao Xico dando-lhe um pouco de companhia quando a Farmácia estava de serviço. \\ Alguns lapsos do professor Almeida são naturais pois ele chegou mais tarde a Loulé mas honra lhe seja feita, por se interessar pelo Loulé de ontem, que ele não conheceu, mas que tanto interesse lhe desperta, talvez por considerar esta, a sua segunda terra (penso eu).
    Irei ler a crónica do João Chagas Aleixo na VL também ele um dedicado louletano às coisas da sua terra, coisa um pouco rara nos tempos que correm. Abraço amigo – Tó Clareza

  4. 2009 Janeiro 30
    Zabel permalink

    Para lá da justa homenagem ao Snr. Inácio que tanta gente ajudou no seu ramo de trabalho, queria aqui deixar uma pequena referência ao Dr. João Chagas Aleixo que tem a humildade de não referir aqui, nunca o seu DR., coisa que muita gente nunca esquece e até chega a exigir como se tal
    sigla fosse mais importante do que o nome de familia. Na própria Voz de Loulé que agora não tenho lido com tanta frequência, há boa gente que parece viver para- e- de doutourice aguda, parecendo até que os que não a possuem
    são meros verbos de encher e de pouca importância na sociedade louletana. Coisas….Zabel sem DR. mas sempre atenta .

  5. 2009 Janeiro 31
    B. Manel permalink

    A pessoa de quem se fala aqui esta noite merece a homenagem de todos nós. Ao longo de mais de 40 anos o amigo Inácio sempre teve uma palavra de conforto e uma boa sugestão para com os clientes da farmácia e principalmente para os menos instruídos. — Quanto ao comentário da Zabel faço minhas as suas palavras pois na realidade há gente que julga que por ter um curso tem direito a pedestal e a salamaleques. Já se foi esse tempo pois hoje os filhos dos pobres também conseguem chegar aos tais cursos coisa que antigamente era só para os poderosos das vilas e cidades salvo raras excepções. Devemos sim respeitar quem o merece independentemente da sua categoria de instrução. B.Manel

  6. 2009 Janeiro 31
    gomes permalink

    Conheci o Inácinho desde há muitos anos e foi homem que nunca se viu demonstrar má vontade para qualquer pessoa que frequentasse a farmácia. Deixa saudades como todos os que prestaram bons serviços aos outros. Gomes

  7. 2009 Janeiro 31
    Alda permalink

    Antes do Snr. Chagas tomar conta da farmácia do Largo da Liberdade ou de S. Francisco era o Snr. Santos que morava ao fundo da Rua das Lojas que era o dono dessa farmácia e talvez o fosse no tempo dessa fotografia. O Snr. Chagas só muito mais tarde é que passou a ser dono da farmácia S. Francisco. Era interessante arranjar uma foto desse tempo. Não sei quem a possa ter mas existe concerteza. Alda

  8. 2009 Janeiro 31

    Alda; na verdade esta foto deve ser dos anos 30, do tempo do Sr. Santos, mas não sei em que ano a Pharmácia Santos abriu. Tenho uma outra, essa possivelmente do tempo do Sr. Chagas, anos 60, já com o Largo dispondo de canteiros e bancos… que mais tarde publicarei!

  9. 2009 Janeiro 31
    Horta permalink

    Bom post nesta altura de homenagear o Smr. Inácio. Professor Almeida já visitou Querença depois das obras no Largo ? Eu fui lá esta manhã e fiquei desiludido. Um largo que era um lugar típicamente algarvio passou a ser uma coisa que não tem nada a ver com o Algarve nem com a zona onde está implementado. Mármores, passeios que parecem
    feitos para fila para os autocarros..etc.. Conversei com algumas pessoas que dizem que aquela coisa não lhes diz nada. A mim que não sou de lá mas que gosto da terrinha desiludiu-me para não dizer outra coisa pesada. Horta

  10. 2009 Janeiro 31
    Alda permalink

    O seu blog é o que se pode dizer um blog de notícias sérias e fundamentadas. No D. N. de hoje Ferreira Fernandes mais uma vez mostra como são duvidosos os caminhos de alguns jornalistas nacionais: HHHHHHH Em tempos, um bom semanário com um vício esquisito – fez campanha contra as meias brancas – cometeu duas canalhices. Gozaram com os avós de um político algarvio porque eram analfabetos e entrevistaram a mãe, incapaz de ser entrevistada, de um político do Norte. O que levou à baixeza esse bom semanário, com dos melhores jornalistas e os dois mais modernos directores da imprensa portuguesa recente? Nunca encontrei outra resposta senão a única: pusilanimidade. Não eram más pessoas. Eram, aposto, incapazes de desprezo pelo género humano. Mas dava-lhes jeito criticar quem estava próximo dos seus inimigos políticos, que eram do PSD (o tal semanário andava a construir uma alternativa mais à direita). Dava-lhes jeito e foram pelo caminho mais fácil. Daí terem atropelado os velhotes, não por mal, mas porque não os viam, encandeados que estavam com sua justa campanha. (E, já agora, explico a esquisitice às meias brancas: era a forma têxtil-ideológica de mostrar que os filhos de Cascais eram superiores aos pequeno-burgueses arrivistas de Boliqueime). Ontem, também a TVI entrevistou alguém que não devia ser entrevistado, mas dava jeito. Nem jeito deu. (Ferreira Fernandes) – Alda

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