Inácio, Carlos, Filhó e Bexiga…


naicinho

Da direita para a esquerda: Inácio, Carlos, Filhó e Bexiga ciclista) - Fotocolecção: A. Filhó

Em 1961, com apenas 16 anos, o Inácio Mendes, o “Naicinho” (de bata), já garantia o funcionamento da Farmácia e formava os mais novos colegas, fazendo-o de tal modo que deles recebia profunda estima, quase devoção.

As pausas, como é natural nesta idade, eram passadas com amigos que apareciam para um “dedo de conversa” sobre os temas que os jovens gostam e também para uns conselhos sobre aquela “dor”… No caso da imagem, talvez o Bexiga tenha ido ao “óleo de fígado de bacalhau”… (único suplemento energético permitido na época) ou exibir a máquina nova!

Terão sido estes espaços e curtos momentos, que permitiram uma tão longa vida profissional de quase 55 anos de plena entrega, muita dedicação e contínua aprendizagem. Hoje, é quase improvável acontecer a alguém, a maturidade ou necessidade bastante para, com apenas 10 anos de idade, iniciar profissão e cumprir com as obrigações inerentes à mesma. Dirão que os tempos eram outros e as pessoas eram diferentes, dirão que a Escola era…, que a família também…

Eu, apesar de todas as diferenças, digo-vos: - O Inácio tinha muita garra!

7 Comentários

Filed under gente, S. Sebastião

7 respostas a Inácio, Carlos, Filhó e Bexiga…

  1. Palma

    Os tempos eram mesmo outros. A maior parte da malta tinha mesmo que avançar para o trabalho porque em casa tudo era magro (muito light). Nas mercearias comprava-se dez tostões de banha, um quartinho de manteiga, 250 grs de arroz etc etc. E os livrinhos dos calotes estavam cheios de ponta a ponta. As camisas passavam de irmão para irmão ou de outro familiar que não as rompesse. As célebres camisas TV (nylon) chegaram então. Eram um sucesso. No príncipo poucos as tinham mas depois o nylon chegou às feiras e acabou por passar de moda já que a sua composição aquecia o (sovaquinho) provocando nódoas enormes bem visíveis nas fotos de casamentos e baptizados. “Conta-me como foi ……” é mais ou menos uma pálida ideia de como foi mesmo esses tempos de miséria e de obscurantismo. Na foto o Bexiga
    com as suas calças à moda de hoje, o Armando Filhó com o mesmo sorriso de agora, o Carlos (uma imagem distante) e o Inácio com a mesma expressão que manteve até aos seus últimos dias. Um moço BOM! Já me alonguei bastante mas a foto fez-me recordar muita coisa
    ali para aqueles lados de S. Francisco. Abraço – Palma

  2. João Chagas Aleixo

    Boa foto!

    Desde já tiro o meu chapéu ao Prof. Almeida, que não sendo natural de Loulé, isto é, Louletano de nascimento, é, pode-se dizer, um amante de tudo o que diga respeito a esta terra, que ele um dia decidiu escolher para viver.

    É de louvar o interesse, o estudo, a pesquisa, as conversas que este homem realiza para se inteirar, recordar, publicitar e ressuscitar momentos/episódios antigos da nossa terra. Trata-se de um trabalho moroso, minucioso, mas que lhe deve proporcionar um enorme prazer. Bem – haja por isso.

    Continue nesse meritório esforço para engrandecer cada vez mais esta Loulé que já o adoptou como filho adoptivo, este autêntico carola por temáticas louletanas.

  3. Palma e João; eram de facto outros aqueles tempos, bem diferentes dos actuais; os seus sinais restam quase apenas na memória daqueles que com mais de meio-século de vida, possuem a lúcidez para recuar e recordar as dificuldades passadas na escassez de quase tudo, obrigando a que tudo fosse religiosamente repartido para do pouco todos terem parte igual, tempos em que pai e mãe já crescidos davam aos filhos da sua parte… para ajudar a crescer!
    Expressões desse tempo são:
    -”Vira Casaca”, roupa feita do avesso do tecido gasto;
    -”Roupa Velha”, refeição feita de sobras várias;
    -”Tudo se Criar”, aplicado a famílias numerosas;
    -”Quem não Trabuca não Manduca!”, quem quer comer deve trabalhar!;
    -”Pobrete mas Alegrete!”, as desgraças ficam em casa!
    -”Casa Brigada é Casa Governada!”, desavenças pelas carências;
    -”Pobres mas Honrados”, resignação e compostura;
    -”O Homem é o Dono da Casa mas a Mulher é que a Governa!”;
    e… muitas outras que deixo ao cuidado das vossas memórias.
    Eram bem diferentes esses tempos de 60!

  4. Belinha

    O meu pai ainda hoje conta que eram cinco irmãos e comiam todos da mesma panela sentados e com o olho nalgum bocadinho mais apetitoso que estivesse à mão e que o outro não o visse. Quatro deles foram para França e Alemanha para fugir à pobreza que minava o lar. Tempo triste. Apenas recordado pelos momentos de juventude que não volta, dizem eles. Belinha

  5. Neco

    Parabéns ao Professor Almeida que não sendo de raiz desta terra tão bem defende os seus interesses. Nem todos o fazem. Quanto à fotografia foi cedida pelo Armando Filhó ? Ainda bem . Pois é bem possível que não haja muitas fotos dessa época e da farmácia em questão. O Inácio merece bem estas palavras escritas neste blog, que se nota serem de coração. Lembremos então este velho amigo e bom cidadão louletano. Neco

  6. boa tarde..gostaria de saber se fosse possivel se senhor na foto inacio tem familiares como jose inacio que tera nascido pelo ano 1890/91 ou mais nao tenho certeza,nasceu em sao clemente loule??

    • Amiga Isabel; interessante é a questão que me coloca. Mas, não tendo sido essa a via seguida na pesquisa de dados para este post, recordo que tratou de assinalar a súbita e triste partida do Naicinho, não dispõe o blog de dados seguros para lhe fornecer uma resposta credível. Contudo as “fontes” utilizadas encontram-se disponíveis e, logo que os afazes o permitam, indagaremos dos parentesco e, com segurança, responder-lhe-emos, aqui e por mail.
      Esperando ser úteis a quem preza quem nós prezamos, despedimo-nos, até breve!

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