Não ao Desemprego!


saramago

«…Dizer “Não ao Desemprego” é travar o genocídio lento mas implacável a que o sistema condena milhões de pessoas. Sabemos que podemos sair desta crise, sabemos que não pedimos a lua. E sabemos que temos voz para usá-la. Frente à soberba do sistema, invoquemos o nosso direito à crítica e ao nosso protesto. Eles não sabem tudo. Equivocaram-se. Enganaram-nos. Não toleremos ser suas vítimas.»

José Saramago

http://caderno.josesaramago.org/2009/11/10/nao-ao-desemprego/

13 comentários

Filed under gente, ssebastiao, União Europeia

13 responses to “Não ao Desemprego!

  1. Lagrima

    Saramago é sem dúvida um escritor admirável e um crítico sempre atento aos problemas da contemporaneidade. Enganam-se aqueles que o consideram uma pessoa fria e insensível. Pelas linhas que aqui podemos ler constatamos que ele é antes um observador muito atento dos problemas sociais e um exímio oscilador de massas que se revolta incessantemente contra o marasmo e inércia em que caiu a sociedade. No entanto, essas oscilações são mal vistas pelos que se acomodaram ao sistema que é realmente soberbo e que nos ilude a todos. O desemprego é uma realidade para os portugueses e, infelizmente, para muitas outras nacionalidades um pouco por todo o Mundo. O problema cimeiro, na minha opinião, é que alguns encontraram aí, nomeadamente em subsídios de desemprego por vezes superiores à remuneração que auferiam enquanto trabalhadores, uma situação estável e que tentam perpetuar com os mais intricados malabarismos. Isto faz com que até numa situação calamitosa como é o desemprego existam diferenças entre as pessoas, existam os que são “filhos”, e os que são “enteados”. Uma sociedade que vive do subsídio de desemprego não é uma sociedade de futuro, não se desenvolve e tende a morrer. Saramago tem razão é possível sair da crise, contudo muito há a fazer de parte a parte. Na Alma devemos levar sempre a certeza “Non Ducor. Duco” ( = Não me conduzem. [Eu é que me] Conduzo). Bem haja Saramago.

  2. Geo 12

    No mundo inteiro pelo jeito o desemprego não tem baixado mas pelo contrário. Dizem que já chegámos ao ponto mais baixo pelo que lentamente se irá melhorando. É até em países que conheciam esta situação como uma coisa longínqua estão hoje a braços com ela. Não sei como serão os subsídios de lá mas por cá para um país pobre e pequenote como o nosso a coisa até nem tem estado muito mal. O que interessava é que se começasse a tal retoma o mais breve possível. O Comunismo do Saramago morreu às suas próprias mãos (não as do Saramago) e o Capitalismo na ânsia desmesurada do lucro também adoeceu. Esperemos então pelo futuro que começa em cada manhã.

  3. Farense

    Desemprego, Casa Pia e outras coisas que têm passado por cá e são tratadas de formas bem esquisitas sobretudo com o tal segredo de justiça que já ninguém sabe o que é já que é violado todos os dias e ninguém foi ainda condenado por isso.
    Em Portugal há, e houve em momentos críticos, como os anos da Casa Pia, jornalistas a partilhar blogues com magistrados (convenientemente anónimos). Houve um PGR que nunca foi investigado por ter mandado a sua assessoria de imprensa divulgar notícias falsas. Houve um director-nacional da Judiciária que mentiu a um jornal, acusando Ferro Rodrigues, na altura líder do PS, de um crime horrendo que era falso, e continua, ainda hoje, a aplicar «justiça» num tribunal superior. Toda esta Justiça me cheira a uma coisa que tenho vergonha de dizer. Boa tarde.

  4. Zé da Altura

    Saramago já nos habituou a desnudar em público a “sociedade de mercado”. Obrigado mais uma vez.
    Lágrima! O caro consegue aplaudir Saramago e ao mesmo tempo retirar todo o sentido e força às palavras do mestre.
    O dramático é mesmo O Desemprego e a sua extensão. Os subsídios, mal ou bem atribuídos, são aviltantes e uma (merda) necessária.
    Suponho que se caísse no desemprego aceitaria um subsídio ainda que ao seu lado alguém o pudesse receber indevidamente. Lá por uma laranjeira ter secado você não arrancaria todo o pomar. Pois não?

    Zé da Altura a ver se compreendo os homens.

  5. Lagrima

    Caro Zé, sou uma “lágrima” e não um “lágrima”. Quanto à questão que me colocou é evidente que uma vez desempregada eu receberia o subsídio mas continuaria a lutar por um emprego. Não defendo a abolição do subsídio de desemprego apenas condeno o seu “uso” indevido. O que quis dizer é que há pessoas que uma vez no desemprego se acomodam e também que a própria distribuição dos subsídios me parece “parcial”. Em resultado dessas políticas temos um conjunto de cidadãos “inactivos” que podiam estar a trabalhar e não o fazem, pura e simplesmente, porque se ajustaram a esse modelo. Não sei se retirei força às palavras do Saramago, no entanto, se o fiz não foi com intenção. Porém, quero frisar que as minhas ideologias políticas nada têm a ver com as deste grande escritor que aprecio nessa qualidade e sobretudo pela capacidade de lutar contra os sistemas religiosos, políticos e sociais que nos são impostos e nós vamos aceitando como se não tivéssemos vontade própria. Sei bem que o cerne do problema é o desemprego, ainda assim, na minha opinião, essa questão é indissociável dos subsídios, bem como das desigualdades sociais, da crise económica, e de muitas outras realidades que marcam o Mundo actual. Como disse e muito bem tudo isso são males necessários mas cabe a cada um de nós lutar para pelos menos diminuir tais males já que não os podemos anular. Bem haja e bom fim de semana.

  6. bruxinha voadora

    Grandes verdades no texto de Saramago! Mas tudo tem um fim pessoalmente vejo-o longe… Falamos muito e fazemos pouco, acomodamos-nos às situações continuamos a curvar-nos e deixamos de gritar por medo…..mas fomos nós que todas as situações graves fossem acontecendo e gerassem filhos e hoje já são os netos…..Talvez um dia o povo sai para rua e faça valer a sua dignidade e os direitos como ser humano igual.
    Talvez um dia o mundo seja um lugar bem mais igual para todos!

  7. PêCêJota

    De Saramago não será preciso falar todos nós sabemos que não está no desemprego. Desemprego é uma palavra fria, triste e muito incomoda, mas temos de viver com ela. Com todos os politicos a fazer as politicas socias de bolso, a desviar, a dar subsidios aquem nunca trabalhou ou irá trabalhar, ao não condenar estamos a proteger quem rouba, agrede, viola e muito mais, sem conseguir estimular os pequenos e grandes empresarios e o governo a preseguir quem trabalha com BT, ASAE, FINANÇAS e toda a burocracia de impostos como vamos acabar com o desemprego. Para deixar de cheira a (MERDA) porque estamos na cauda da Europa não é subir 0,1% ano mas sim 10% ano, mas como conseguimos com “Apitos Dourados, Casa Pia, Vale e Azevedo, Freeport, Face Oculta, TVI, e tantas outras, como podemos combater o D E S E M P R E G O. Gostaria de falar sobre outros assuntos do concelho, o blog tem algum mail onde eu possa enviar os temas. Bom fim de semana a todos os Louletanos.

  8. Fernando

    Em relação há cem anos atrás o Mundo é inquestionavelmente melhor do que hoje. Não nos esqueçamos da miséria que era a Europa a seguir à Grande Guerra. E o salto que todos esses países deram? Mas como nada está parado as crises volta e meia voltarão. Mas os que mais verdadeiramente gritam com justiça ainda são os irmãos de toda a África e Ásia principalmente. Nós nem nos apercebemos dos nulos direitos que tem aquela gente. Só pensamos em nós, depois em nós e sempre em nós.

  9. turko

    Em 1974, a Conferência Mundial sobre a Alimentação fixava a meta de eliminar a fome no mundo até 1984. Foi um sonho impossível como admitiram implicitamente, em 1996, os representante da FAO reunidos em Roma. Hoje, voltam ainda as previsões da redução pela metade do número de famintos até 2020.

    Prevê-se que uma massa de 1 bilião ainda passará fome naquele ano, sendo que as crianças subnutridas somarão 132 milhões. Um pouco abaixo dos 166 milhões de 1997, mas ainda muitas: uma em cada quatro crianças passará fome.

    Os números nada animadores estão no relatório “Previsões para o ano 2020 sobre a alimentação mundial: tendência alternativas e escolhas” apresentado em Bohn, Alemanha, no mês deSetembro.

  10. PêCêJota; o mail de serviço encontra-se no topo do blog na coluna da direita.
    É este: antonio.almeid2@netcabo.pt
    Utilize-o quando desejar! Serão benvindas as notícias e sugestões de temas que deseje enviar!

  11. É só para dizer que quando a malta está a morrer de fome é preciso uma cana de pesca, mas sem o peixe, não há força para pescar!
    Abraços ao Professor Almeida.
    João Martins

  12. Jota

    Ainda vou pedir ao Saramago para escrever um livro sobre as mulheres pobres de todo o Mundo. Greve à parição. As ricas que o façam. Então, devia ser o bom e o bonito. Primeiro, acabava-se o desemprego, segundo, os meninos ricos tinham que ir cavar batatas se queriam sobreviver, terceiro, os meninos recusavam-se e mandavam os pais trabalhar, e por fim, gerava-se um conflito de tal ordem que acabava de uma vez por todas com esta sociedade hipócrita, levando consigo, todos os cidadãos inactivos que recebem subsídio e que poderiam estar a trabalhar. Utopia? Talvez, mas devia ser giro, calaria a voz a outras utopias.

  13. Enquanto não chega a força capaz de mudar o sistema, vários pequenos passos podemos dar para impôr mudanças no processo de oferta e procura que demonstrem que o indivíduo pode activamente ser agente transformador:
    – Enquanto comprador de bens escolhendo os nacionais e de valor justo o mais próximo da produção possível;
    – Enquanto contratante de serviços, em igual qualidade e valor, escolher quem dá emprego ou atravessa dificuldades;
    – Optar por sistemas de trocas, sempre que possível, entre quem tem e quem precisa;
    – Renovar, reconverter ou trocar aquilo que já se possui;
    – Alterar as “rotas do consumo” e os “passeios dos tristes” criando outras destinos, fomentando novas oportunidades;
    – Estar mais interessado em conhecer a situação do economia local e escolhê-la sempre que possível em relação a outras;
    – Não calar e publicamente falar das situações que podem originar desemprego;
    – Exigir o respeito das regras em vigor e o cumprimento dos serviços;
    – Denunciar as medidas de “saneamento financeiro” baseadas na redução de mão-de-obra”;
    – Recusar as “férias forçadas”, as “isenções de horário”, os “recibos verdes” e outras formas de anular compromissos com o trabalho.
    – Apontar as sobrecargas de trabalho que resultam da não oferta de emprego;
    – Criar um “banco virtual” de trabalhadores em falta para forçar os empregadores a empregar…
    – Pensar no Desemprego como um problema global e não, apenas, uma “fatalidade pessoal”.

    Deveriamos discutir estas questões e assumir compromissos, cada qual ao seu nível, que fizessem “dano” no capitalismo selvagem que, desgovernado, nos governa.

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