Compras, lendes, solo e Migna Mala…


Foi um sábado que acordou bonito, o sol ajudou com a sua clara e branda luz a realçar a vila velha, convidando a caminhar…

Cebolas e alhos comprar ou, simplesmente,  no Mercado se misturar. Apesar da crise, nem Euros caídos nos fazem a “espinha dobrar”… seguimos ao ritmo da luz que a chuva não cai e o vento não sopra, pessoas passeiam-se agradavelmente.

Caldeirada e sapateira completam os avios que se foram juntar às batatas, clementinas e malaguetas… no “Pescador” juntam-se já os “pensadores” que alinham as primeiras prosas das elaboradas teses que se irão expressar em fugaz petisco antes do almoço no aconchego caseiro.

O almoço de sábado é uma tradição doméstica desde sempre, coisa feita em cerimonial pelos próprios consumidores do repasto. Este não fugiu à regra: coisa fina!

Uma caminhada ao campo, recolher solo e apanhar as últimas bolotas do ano, seria o passo seguinte… pois que a sementeira escolar necessitava da terra para as sementes…

Das Pereiras de Quarteira são dos Sobreiros progenitores das lendes escolhidas para a Sementeira deste ano… em redor dos seus troncos fora recolhido a solo fértil. A sua imponência e respeitável idade fora o motivo da escolha além de, claro, a sua próximidade urbana…

A Morte impusera a sua lei, talvez mesmo contra as Leis que o impedem, o abate fora realizado e deixara os despojos ali plantados: Tudo muito urbano, tudo asseado; ninguém vira ou soubera de nada; os carros curvam melhor; que interessam duas árvores com mais de 300 anos?

A Raiva tinha que ser expressada, a “fuga” desta terra tinha que ser realizada, alguma cultura, alguma juventude criativa, alguma nova esperança de futuro tinha que se encontrada que ajudasse a prosseguir a caminhada… Os Migna Mala no CAPa (do amigo Laginha) foram, afinal, a coisa esperançosa (em Faro) deste sábado de clima bonito e gente feia (em Loulé)…

Desculpem, mas já não encontro palavras que traduzam tanta maldade com a vegetação deste Concelho, restando-me a esperança de germinar muitos Sobreiros órfãos este ano!

12 comentários

Filed under Arte, Blogosfera, Ensino, Juventude, Loulé, Opinião, Património, ssebastiao

12 responses to “Compras, lendes, solo e Migna Mala…

  1. louletano

    Desconhecia este abate. Professor Almeida as árvores tinham mesmo essa fantástica idade? E desta vez qual foi o motivo para o assassinato?

  2. Francisco

    Migna Mala muito bom mesmo. Gostei. Já dessa notícia aporcalhada de gente que não tem o mínimo de senso deixa-me triste. São os politicos de 3ª que os louletanos escolheram. Haja paciência.

  3. Vira

    Nas Pereiras de Quarteira
    Lá morreram mais sobreiros
    300 anos não é nada
    Pra politicos bem rasteiros

    Se uma dia o Povo acordar
    Do seu sono do bruxedo
    Pode ser que abra os olhos
    E perca de vez o medo!

  4. James

    Trezentos anos é qualquer coisa. Na Alemanha onde vivi isso dava prisão. Mas aqui pelo jeito ainda ficam orgulhosos com os abates. Olhem para o Hospital de Loulé ou Clínica ou lá o que é, e vejam a tristeza depois de mortas as árvores que lá estavam. Imagem de meter dó.

  5. Zarita

    De um sobreiro fiz a sombra
    Num belo dia de verão
    Quem mata assim um sobreiro
    Ou é ignorante ou cabr…o.

  6. Maria José

    Há muitos anos lembro-me de ver um peça de teatro na nossa televisão interpretada por Palmira Bastos e que se chamava: “As árvores morrem de pé”. Também em Loulé meus amigos. Também em Loulé. M.José

  7. Rio

    Espero que os deputados da oposição de Loulé levem o assunto à Assembleia e ponham os pontos nos iiii. Esta terra não tem emenda. E quando alguém diz alguma coisa é apelidado de má língua e de ser contra o Snr. Emídio o tal que vaidade não é com ele. É um santo homem. Quando acabará este filme?

  8. Meu caro “louletano”; nem eu nem ninguém poderá datar com segurança as árvores abatidas!
    Mas um tronco de Sobreiro que apresenta junto à raíz um diâmetro que ultrapassa 1,50 m não é seguramente uma árvore nova, basta percorrer os montados existentes, e mesmo considerando que possa ter beneficiado de magníficas condições ambientais que lhe favoreceram o crescimento, qualquer das árvores cortadas são várias vezes centenárias e dos maiores exemplares da sua espécie que existiam na área do Concelho.
    Trezentos anos foi o cálculo que fiz tendo em conta a comparação com outras que conheço e com aquilo que fui aprendendo sobre Sobreiros desde que comecei a germiná-los e plantá-los.

  9. Lagrima

    Carpe Noctem. Ser adepto de determinada ideologia não significa deixar de pensar ou fingir ser (in)cerebrado. Todos nós temos liberdade de apoiar quem quer que seja, no entanto, é nosso dever também compreender os erros daqueles que idolatramos. Ninguém é perfeito e aqueles a que a isso aspiram de certo vêem os seus intentos gorados. Existem situações em que o único comentário possível é “Não tenho comentários”. Boa Semana para todos.

  10. Sobreiro

    Os sobreiros podem viver até 500 anos. Embora o descortiçamento seja realizado de nove em nove anos, demora no mínimo 40 anos para que a casca do sobreiro se torne comercialmente viável. Esta é a razão pela qual a maioria das plantações de sobreiro passa de geração em geração, na esperança de que os próximos venham, eventualmente, a beneficiar deste produto florestal único.

  11. tom

    Esta serve a todos: A Sara foi presidente da Câmara das Lajes do Pico, nos Açores, até Outubro último. E, nessa qualidade, nomeou chefe de gabinete seu marido, docente na Universidade de Évora. Sim, Évora, ali no Alentejo. Parece que ia aos Açores um ou outro fim-de-semana, o que é natural: ia ver a Sara. A senhora foi eleita pelo PSD, o que não é relevante. O Tribunal de Contas decidiu a devolução de cerca de 50 mil euros de remunerações auferidas pelo «chefe de gabinete», mas relevante mesmo é o «conceito» de «serviço público» do «capital humano» que circula no interior das estruturas partidárias.
    Por Tomás Vasques

  12. INRI

    Um tema que gosto, o sobreiro que nasce espontâneo nos terrenos em 16 ou 17 anos já tem um tronco com a medida, e pode tirar a cortiça pela primeira vez dão o nome de desboiar ou tirar a cortiça virgem ou branca, e passados 9 anos têm a cortiça para isto é preciso 25 anos. Como temos politicos de agricultura muito acima da média a árvore em Portugal mais protegida é o Azinheiro não faço a minima ideia talvez pelo rendimento que dá ao proprietário, e segue-se o Sobreiro que para se executar o abate de sobreiros secos ou doentes ou limpezas de sobreiros tem se de fazer um pedido nas delegações do ministério da agricultura e têm um periodo de 1 de novembro a 31 de março do ano seguinte para realizar e se não concluir os trabalhos recomeça no ano seguinte. O ABATE DE SOBREIROS EM PORTUGAL BONS, DOENTES OU SECOS OU LIMPEZAS SEM AUTORIZAÇÃO É CRIME Punível em sede própria. O terreno tem dono é só perguntar quem fez. Ele é um dos que se suspeita…. primeiro!

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