Drogaria Lys: desmontagem#1


Com o desaparecimento recente da D. Liberdade Leonor Rodrigues que, a custo e apesar da avançada idade, ia mantendo o negócio da família, chegou o doloroso momento de extinguir a Drogaria Lys fundada por seu esposo, Sr. José Rodrigues, no ano 39 do século passado (21 de Janeiro de 1939) no então Largo dos Inocentes, agora Largo Gago Coutinho…

Abrimos assim, e para história futura que possa alimentar a memória das gentes, um conjunto de pequenos apontamentos sobre a actividade e os produtos disponibilizados na central drogaria louletana. Partimos daquilo que encontramos e disso faremos um interpretação livre apenas apoiada nas emoções sentidas no momento das descobertas. Assim sendo, são benvindos os vossos contributos e correcções!

A imagem apresenta um cartaz litografado em chapa de flandres que promoveu os pitromax da marca “FEUER HAND” que a par do parente nacional “HIPÓLITO” deram luz a muita gente…

E, em primeiro plano, uma interessante candeia, peça de latoaria artesanal em chapa de zinco que, imaginativamente, utilizava uma lâmpada eléctrica como reservatório do combustível (petróleo ou azeite)!


Demonstração de um tempo passado no qual coexistiram diferentes formas de iluminar as noites e de dar lastro ao engenho humano. Até breve!

9 comentários

Filed under Comércio, Consumo, gente, Loulé, Património, Publicidade, ssebastiao

9 responses to “Drogaria Lys: desmontagem#1

  1. Palma

    Embora saibamos que tudo tem um fim, é sempre com alguma tristeza que assistimos ao encerramento, neste caso, de uma loja louletana propriedade de velhos amigos e que atravessou várias gerações. Situada mesmo no centro da cidade não há louletano que ali não tivesse entrado pelo menos uma vez na vida.
    O Snr. José Rodrigues falecido há já alguns anos era um pessoa bem disposta, culta e que tinha sempre na ponta da língua uma «graça» para com os seus clientes. Também a D. Liberdade Rodrigues, falecida recentemente e que manteve a loja aberta depois da morte do seu marido, durante todos estes anos, era uma pessoa de fino trato e de grande jovialidade apesar das suas noventa primaveras. Este post do Sebastião, blog que nunca esquece os interesses da terra louletana, fez bem em jeito de homenagem trazer aqui o o fim da Drogaria Liz. Um Bom Ano. Palma

  2. João Chagas Aleixo

    Caro Professor,

    permita-me uma pequena correcção ao seu texto. A Drogaria Lys não foi fundada nos anos Quarenta do século passado, conforme escreveu; mas sim, precisamente, no dia 21 de Janeiro de 1939. Os proprietários da drogaria foram desde sempre, conforme aludio, o casal José Lopes Rodrigues e D. Liberdade Leonor Rodrigues. Este facto pode ser facilmente verificado na página 4 do n.º 282 do Jornal «O Louletano», de 26 de Janeiro de 1939, dirigido por Anastácio Guerreiro Dourado. Disso mesmo já dei conta na minha habitual coluna no n.º 1659 do Jornal «A Voz de Loulé», de 15 de Janeiro de 2009, p. 16.

    Fica, desta forma, feita a correcção.

    Saudações Louletanas

  3. João Chagas Aleixo

    Mais uma pequena correcção: o nome inicial da Drogaria era Lys e não Lyz, conforme escreveu. Depois, com o passar dos anos e com os acordos ortográficos, simplicou-se, a nível de registos, o seu nome para Lis. Mas eu escreverei sempre Drogaria Lys. Defeito de purista ou de historiador, quem sabe…

    Abraço

  4. peter

    Por acaso apenas entrei lá uma vez e fiquei encantado com o tipo de mobiliário da loja. Anos 50? Que pena! Mas como se diz: tudo acaba.

  5. Caro João Chagas Aleixo; bom Ano para o amigo! Para mim o 2010 começou bem com duas importantes e bem fundamentadas correcções feitas por ti neste post.
    O rigor na data da abertura, podes acreditar, nem o filho mais novo teve quando lha perguntei; quanto ao nome, porque gosto mais e acho que é assim que está gravado no mármore (não garanto!) que vai ser retirado e ficará na posse da família.
    Peter; informo-o que alguns desses móveis, por se prestarem na perfeição ao arrumo de livros, foram recolhidos para residências de familiares e amigos do casal. Eu mesmo os desmontei para poderem ser transportados e, talvez por isso, lamento não poder ser ficado, também, na posse de um deles.
    Palma; tu podes em muito ajudar nos próximos textos sobre este histórico estabelecimento, as Chaminés para referir um exemplo, sei para onde foram as que restavam na loja e posso ter acesso a elas!
    Bom Ano para todos!

  6. alan

    O João Chagas Aleixo vai ao pequeno pormenor e às vezes parecendo que não teria importância para quem gosta de contar a verdade é bom que assim seja. A História está cheia de mentiras como é natural. Estas histórias de Loulé pelo menos que a gente as conte, enquanto cá estivermos, como o foram na realidade. Uma boa noite.
    Alan

  7. Lena

    Na verdade o João Aleixo tal como o Professor Almeida gostam de descrever pormenores. Também acho que fazem bem. Quanto ao artigo do João Aleixo não o li, já que a “Voz de Loulé” deixou de fazer parte das minhas leituras há algum tempo por mais do que um motivo que não vem ao caso. Mesmo assim vou tentar ler o artigo do louletano que gosta verdadeiramente da sua terra: João Aleixo. Obrigado a todos por não se esquecerem do que é nosso. Lena

  8. João Chagas Aleixo

    Caro Professor e dilecto Amigo,
    é bem natural que os dois filhos do casal não saibam a data de abertura do estabelecimento. Há cerca de dois anos, andava eu a tentar organizar o meu arquivo sobre Loulé por temas, mais de trinta dossieres, descobri, sem querer, o anúncio da abertura da Drogaria Lys. Contente com o achado, tirei uma cópia para entregar à minha boa amiga D. Liberdade. A D. Liberdade ficou visivelmente contente, uma vez que muitos turistas entravam na loja e perguntava-lhe de que ano era a Drogaria e ela não tinha resposta certa. Dizia que era da década de Quarenta, mas sem segurança. Assim, quando eu lhe entreguei a cópia, a D. Liberdade, espantada com a data, excalmou: «Ahh, abriu em 1939? Então foi no ano em que nasceu o meu Heldinho!»

    Nota: o Heldinho trata-se do filho mais velho do casal Rodrigues, desde há muitos anos radicado em Carcavelos, onde vive. Desempenhou, durante muitos anos, o cargo de veterinário municipal da Câmara Municipal de Lisboa.

    Saudações Louletanas

  9. Luís Perpétuo

    Antes da mais desejo a todos um Bom Ano de 2010

    A Drogaria Lys fechou, ficam as memórias de tantos filhos desta terra que cresceram a ver na rotunda a drogaria.
    Do Sr. José Lopes Rodrigues, fica a imagem atrás daquele balcão verde com uma pedra de mármore preto, de Dona Liberdade Leonor Rodrigues, a amizade e a simpatia, do estabelecimento a recordação de uma casa do fim dos anos 30 (eu tinha a indicação de 1945, quando vinha referida a drogaria (lis) lys, no guia do concelho de Loulé, logicamente a drogaria existia antes desta data, existia desde 1939), com o seu mobiliário sóbrio com portas de vidro, onde se poderia encontrar os mais variados produtos.

    É com emoção que recordo os momentos que passei com a Dona Liberdade a abrir caixas de madeira com intrumentos antigos, neste enlevo de descoberta e na afabilidade da Senhora.

    Saudações a todos (as)
    Luís

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