regressando ao IKEA!


Há na verdade muito assunto neste assunto IKEA!

Deixando, por agora, a questão de saber quem embolsará mais-valias chorudas por venda de terrenos comprados baratos com argumentos habilidosos, como o seu reduzido proveito e impossilidade de construção ou a utilidade pública do empreendimento; o secretismo e a exigência de silêncio dos vendedores, para nos concentrarmos no negócio IKEA e nas consequência que terá no contexto comercial e social do Concelho.

Quem conhece a recta dos  “Cabos Ávila” que liga Lisboa (Alfragide) a Amadora e Queluz pode bem avaliar a consequência da instalação próxima de grandes superfícies. Pois é, são as acessibilidades e os grandes índices de circulação rodoviária que atraiem os mega investimentos e aí crescem como cogumelos até secarem por completo as vantagens iniciais, bloqueando tudo. O pior mesmo é que o seu grande número e a completa diversidade de produtos que comercializam, por força das campanhas e promoções agressivas, destróem todo o tradicional comércio de Rua e de Bairro. Podemos ver, aqui próximo, o exemplo da Guia na E.N. 125!

Poderemos achar que isso não é grave em Cidades Dormitório e que os seus Horários Alargados deixam tempo para fazer as compras e, assim pensando, vamos deixando que a Globalização transforme as pequenas cidades em dormitórios também, onde as ruas serão desertos sem estabelecimentos de próximidade e pejadas de viaturas estacionadas pois quem nelas viverá procurará trabalho cada vez mais longe e apenas regressará a casa para se deitar, frequentemente com a refeição tomada na grande superfície onde comprou as mercearias, o LCD, as roupas novas para a festa, a mobília da sala e o brinquedo novo do “pimpolho”!

Os “mirones”, os “modernos”, os “dependentes do Visa”, os titulares de “cartão cliente” e muitos a quem falte melhor ideia para passeios de fim-de-semana estarão “mortinhos de curiosidade” em conhecer um Novo espaço de cor e multidão. Convenhamos que estes lugares de “glamour” atraiem namorados pouco endinheirados e jovens com dotes de “rapariguinha do shopping” em busca da oportunidade do Casting ou de aparecer nas “colunas sociais”. Enfim, lavar os olhos de ilusões que forneçam energias para mais uma semana de incertezas no emprego e poupanças para pagar contas atrasadas. Porque, para ver não é preciso pagar e sempre alimenta a alma… está lá “toda a gente” e tem estacionamento, galeria de restaurantes e “griffes” da moda.

Neste sonho, próprio do país da Alice, poucos e mal olhados são, os que questionam o rumo que está a ser seguido e qual será a consequência de comportamento tão fútil… Que se questionam onde ficou o País Real que Portugal é e até quando esta Loucura vai durar?

4 comentários

Filed under Cidadania, Comércio, Consumo, Juventude, Loulé, Opinião, ssebastiao

4 responses to “regressando ao IKEA!

  1. revoltado

    As grandes superficies são o bodo dos pobres e uma espinha para os ricos, aos primeiros é lhes permitido frequentar o antro dos ricos, fazer parecer o que não é, e especialmente sonhar com aquilo que o esgotado cartão de credito já não permite, para os segundos é um pesadelo ter que se cruzar com a maralha e não poder facilmente ostentar o que o estatuto impõe.

    É doloroso á nata cruzar-se na FNAC com aqueles que não sabem distinguir Isaac Assimov de Fernando Pessoa, já não bastava terem que se sentar ao lado da trupe trabalhadora nas suas viagens para os destinos da moda.

    São estes os tempos que a democratização do consumo trouxe, para o bem e para o mal, tenho pena daqueles que vêm a sua fonte de rendimento baixar, mas aflige-me mais aqueles que de um dia para o outro perdem toda a fonte de rendimento, muito por culpa desta crise criada pelo poder económico.

    Lembro também que muitos dos comerciantes não se adaptaram aos tempos, continuando com práticas antigas e impróprias como o caso que recentemente se passou com um familiar que estando pelas 14.55 esperando pela abertura da porta o proprietário do estabelecimento (rua das Lojas) entrou e asperamente voltou a fechar a porta resmungando “Ainda falta 5 Minutos!”.
    Acabou assim de perder um cliente, que certamente preferira a usual simpatia dos funcionários e o fácil estacionamento das grandes superfícies.

  2. Meu caro “Revoltado”;
    em face das proporções que fenónemo da distribuição massificada tomou é difícil encontrar o posicionamento sustentável!
    A capacidade de atracção, não só por via do preço e pelo fácil contacto com os produtos, é de difícil combate e coloca o tecido tradicional em efectiva perda.
    A muito aludida simpatia e acompanhamento pós-venda não se provam já no comparativo que tentemos fazer. Resta diferente a relação laborar embora as grandes superfícies estejam em contínuo recrutamento sabemos que praticam salários mais baixos, menos segurança na conservação do emprego e grande flexibilidade nos horários e regalias sociais.
    É na pouca Indústria existente no País que impacto mais se faz sentir, as grandes superfície impõem o produto, a sua qualidade e o seu preço, recorrendo com grande facilidade aos “main brand” de produção globalizada secando a produção interna similar.
    Quando a grande superfície, como neste caso do IKEA, é além de distribuidora, produtora industrial temos um “cogumelo” cujo efeito será muito nocivo nos sectores nacionais de mobiliário, textéis, cerâmica e vidro que sabemos não estarem nada folgados embora contando com unidades centenárias entre nós.
    Ganhará o consumidor pois então! Sentir-se-á feliz por comprar uma “griffe” suéca em produtos “made in china”, um misto de equipamento-brinquedo para montar em casa e ajudado pelo folheto explicativo como quem constrói um avião do “lego”. Sentirá ainda ser parte de uma geração à qual não interessa o significado do objecto mas, e apenas, a estética e a cor!
    A banalização trará a pronta substituição e deposição do “mono” ao lado do contentor do bairro, desejavelmente desmontado, para reduzir o volume do “monstro” que o IKEA não o reciclará embora o devesse fazer!

  3. Tiralinhas

    Como já tem sido escrito a luta pelo local onde vai ficar as instalações do IKEA é entre dois tubarões um cá do burgo outro do burgo lisboeta, sobre o IKEA onde há dinheiro há poder e o nosso Dr. lá vai indicar a zona que mais apre€ia para a instala€ão do IKEA. Mas no concelho há mais NEGOCIATAS, em Quarteira foi vendido o Parque de Campismo com uma área próxima dos 80.000m2 com o uso do solo urbano a um Banco por milhões, depois foram comprar um terreno a cerca de 4 ou 5km de Quarteira para lá fazer um novo Parque por tostões, nunca ouvi nenhuma opinião nem dos políticos da oposição, BLOCO, PS, CDS nem do ALMARGEM como agora levantaram um processo contra a Quinta da Umbria ou da Quercus que veio do nada falar sobre os terrenos aonde se pensa construir o IKEA na Alfarrobeira, sobre os terrenos onde pretendem fazer o Parque de Campismo serão urbanos meus Srs.? Ou tambem são solos agrícolas? Eu vejo lá muitas laranjeiras e hortas. Há muitos Ikeas no concelho. E o projecto para o grande centro comercial em Almancil do Sr. Apolónia e os irlandeses, os terrenos são urbanos? E assim vai o burgo com as promessas eleitorais por cumprir e quando tomam alguma posição são projectos assinados pelos antigos presidentes (PS). O carnaval vem aí e vou dar uma ajuda ao nosso amigo Júlio: por favor faça um carro alegórico com o tema IKEA e para o Sr. José que faça um para Quarteira sobre o Parque de Campismo!

  4. Bloguista

    «O que está aqui em causa é saber se é mais importante preservar alguns hectares de terreno agrícola, quando há cada vez menos agricultura no Algarve, ou viabilizar um projecto diferenciado que significa um investimento de 300 milhões de euros na região e a criação de três mil postos de trabalho directos» – Seruca Emídio, presidente da Câmara Municipal de Loulé, no Barlavento, sobre o projecto da IKEA para o seu concelho.
    O melhor mesmo é acabar com a agricultura e com os agricultores e transformarmo-nos todos em térmitas. Sempre poderíamos ir comendo alguma madeira, sei lá, sobreiros, contraplacado de fusão produzido por algum “chef” da Estação de Loulé. É tudo muito transparente, como é bom de ver.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s