Houve diálogo… depois!


Pela primeira vez, neste caso da Praça da República, a C. M. L. prestou esclarecimentos posteriores à decisão de Abate e exibiu o estudo técnico independente que havia encomendado. Embora não fique provada a mudança de comportamento autárquico, em boa fé e reconhecimento pela deferência, aqui fica a resposta do Sr. Vice Presidente às questões colocadas pelos “cidadãos que gostam de Árvores Urbanas”:

Esclarecimento sobre o abate de árvores na Praça da República

Na sequência da análise pelos serviços da Câmara Municipal do estado das árvores da Praça da República, em Loulé, foi decidido mandar executar, por empresa da especialidade, um estudo detalhado sobre o estado das árvores em causa, a maioria das quais identificadas como tendo sido plantadas há mais de 70 anos.

O “Estudo de Avaliação do Estatuto Biomecânico” foi efectuado em Novembro de 2009 pela empresa Planeta das Árvores – Jardinagem e Cirurgia Arbórea, Lda, com sede no Porto, que nos apresentou um relatório detalhado sobre o trabalho efectuado.

Das conclusões e recomendações do relatório destacamos:

-A generalidade das árvores não apresentam danos significativos ao nível do colo – parte do tronco junto ao solo – pelo que supomos não serem, ainda, muito significativos os danos que, eventualmente, o sistema radicular possa apresentar.

É na parte aérea das árvores, e nomeadamente na zona do tronco onde se inserem os ramos principais, que as lesões, cortes deficientes não cicatrizados, cavidades e focos de podridão são por demais evidentes, fragilizando os ramos em termos de sustentabilidade biomecânica.

São, portanto, relativamente baixos os riscos de queda das árvores pela raiz, mas muito elevada a probabilidade de colapso de ramos, alguns de dimensão considerável e potenciadores de acidentes com consequências trágicas.

E o mais dramático de toda esta situação, é que as lesões que ocorrem, como afirmamos, ao nível de inserção dos ramos principais nos troncos foram originadas por podas tecnicamente mal executadas.

E a concluir, do relatório consta: “relativamente às 16 tílias da
Praça da República, recomendando nós o abate de 12 do total de 16 árvores, o que é de facto uma percentagem muito elevada, não nos repugnaria a total substituição das árvores, eventualmente no contexto das obras de requalificação que, ao que nos informaram, estão previstas para aquela zona.”

Anexamos algumas páginas do relatório (podem ser enviadas por mail a quem no-las pedir) onde constam os aspectos
técnicos sobre o trabalho executado e as fichas individuais das 16 árvores analisadas na Praça da República.

Os melhores cumprimentos.

José Graça
Vice-Presidente
Câmara Municipal de Loulé

13 comentários

Filed under Blogosfera, Cidadania, Loulé, Património, ssebastiao

13 responses to “Houve diálogo… depois!

  1. Santos

    O que é interessante é que nunca isto aconteceu noutros mandatos. E agora derrepente tudo acontece. Tudo apodrece, tudo está a ruir, tudo pode perigar. Juntou-se tudo agora? Ou é desculpa de mau pagador? Sinceramente não tenho paciência para tanta loucura junta. Passem bem! Santos

  2. juvenalito

    José Rui Fernandes no Blog Árvores de Portugal dá-nos um achega ao que se está passar no Parque Municipal.
    Excesso de ensom­bra­mento em Loulé? No cora­ção do “All­garve”?
    Há dois pro­ble­mas que observo serem recor­ren­tes nes­tes e nou­tros casos: excesso de dinheiro e falta de accoun­ta­bi­lity. E assim se governa na mais sos­se­gada falta de res­pon­sa­bi­li­dade.
    Se lhes saísse do bolso, se um dia tives­sem de res­pon­der pelos des­man­dos enquanto autar­cas, não faziam um décimo das asnei­ras.
    Esta inter­ven­ção não bene­fi­cia o par­que. Se não bene­fi­cia o par­que, não bene­fi­cia as pes­soas.

  3. Mina

    A Câmara de Loulé chegou agora à brilhante conclusão de que o Parque tem excesso de sombras? O Médico da Câmara não poderia receitar qualquer coisa para a equipa dele tomar durante uns tempos? Mina

  4. Jaime

    Vale a pena ler o Blog Árvores de Portugal onde se fala agora no nosso Parque Municipal. Mais uma a juntar a todas as outras. Não pára meus amigos. É como nos carrinhos eléctricos da Feira. Sempre a andar. Até que…….

  5. Zeca

    Muito interessante o comentário do João Martins no tal Blog das Árvores Portuguesas:
    “”””É só para escla­re­cer que só agora depois de quase qua­renta anos de vida fiquei a saber que o Par­que Muni­ci­pal de Loulé é um jar­dim. Já nada me espanta nesta cidade. São as minhas raí­zes que estão a ser devo­ra­das.
    Estou deso­lado. Estes senho­res mexe­ram nas minhas memó­rias, estes senho­res mexe­ram na minha iden­ti­dade pes­soal. Estes senho­res não sabem o que fazem. O par­que onde toda a minha vida fiz des­porto e que no verão é bem fre­quen­tado acaba de ser des­truído. O louco devo ser eu. Já fal­tou mais para me con­ven­cer disso. Mas estes senho­res que gover­nam a minha cidade não são dig­nos da minha lou­cura.
    João Mar­tins
    Macloulé””””

  6. J. Juca

    Belo comentário do João Martins. Está certo. Mais que certo. Eles vão mexendo no nosso passado como se de lixo se tratasse. Tudo para que a modernização lhes possa dar mais alguns votos. Que M***A !

  7. Aldinha

    Requalificar. Requalificar o quê quando as áreas são bonitas? Requalificar para pior? Deixem-nos estar o que nos diz tanto à nossa memória. Façam pequenos arranjos. Melhorem as calçadas, os bancos. Não há necessidade de se gastar fortunas para dizer que se fizeram grandes obras se depois as grandes obras são autênticos abortos e atentados ao que lá estava anteriormente. Não mudem a cidade. Não amachuquem a cidade. Não a transformem numa terra que ninguém conhece. Façam isso! Por favor acabem com esta patifaria.

  8. Goncinha

    Concordo com a Aldinha quando diz para deixarem a cidade em Paz. Para quê mexer nas coisas que tantos de nós vivemos desde crianças. Porque não apenas melhorá-las e alindá-las? Qualquer dia Loulé parece uma outra terra qualquer. Há qualquer coisa de errado nesta gente que não ouve ninguém porque se julgam o máximo. Eu sei que há muito louletanos que pouco se importam com o que aqui se faz. Para alguns podiam até deitar tudo abaixo e fazer de novo. Mas nós os que amamos esta terra temos direito a contestar toda esta parvoíce total. E não nos calaremos mesmo que nos olhem com aquele ar trocista que é apanágio deste poder louletano que não presta mesmo.

  9. Querenção

    Ponham os olhos na aldeia de Querença. Ninguém ainda disse que aquilo é um atentado? Ao bom gosto, ao Algarve, às aldeias típicas algarvias. Um Largo forrado a mármore ou lá o que é.
    Quantas pessoas que moram em Querença gostam daquilo? Querenção

  10. Merkhabala

    À semelhança do que comentei em relação ao que se está a passar no nosso Parque Municipal é impossível ficar indiferente à quantidade de idiotices que se têm praticado nos espaços verdes e de lazer do nosso Concelho e da nossa cidade em particular…É impossível ficar indiferente quando se passa por exemplo pela Avenida ou pelo Largo S. Francisco e se vê pessoas quase a lutar por um metro quadrado de sombra encavalitadas umas nas outras onde antes tinham sombra para dar e vender…E agora com o abate destas últimas árvores cuja sentença foi ditada, segundo os estudos, pela prática sucessiva e de forma incorrecta das podas pergunto-me, mas afinal onde é que vão buscar os jardineiros da nossa cidade e responsáveis por estes trabalhos…?!! Não era suposto saberem o que fazem…? Pelos erros de uns poucos têm que pagar todos os que usufruiam dos benefícios gratuitos e livres de impostos que aquelas Tílias davam a quem por ali passava diariamente e não estou a falar só das pessoas, aquela dúzia de árvores eram pouso de milhares de aves para a pernoita…
    O pior é que anexado a este abate vem uma suposta requalificação que a meu ver ainda vai dar pano pra mangas…
    Para variar isto só poderia acontecer num mundo onde não se dá valor nenhum à fauna e flora tratando-os como objectos inanimados sujeitos às vontades de meninos mimados que sem estima estragam, matam e deitam fora inconscientes do mal que estão a fazer porque pensam que tudo pode ser substituído…Enfim uma tristeza, à imagem do que esta cidade se está a tornar…Este concelho poderia ter um papel bem diferente quanto ao plano ecológico na protecção do nosso bem mais precioso, que é a natureza…A começar pela nossa cidade, que em relação a este assunto em vez de andar para a frente só anda para trás…
    Bem haja a todos…

  11. E.Santos

    Eu gosto muito mais da Praça da República como está, a luminosidade é outra e faz muito bem às cataratas, até porque acho que o novo hospital de Loulé vai ter oftalmologia, e precisará de clientes. Agora temos muito mais amplitude pelo que já podemos deixar os carros sem que os pardais evacuem neles, mesmo que tenhamos que pagar os parquímetros, que por força da nova empresa “mística” tem reduzido substancialmente o desemprego no concelho, nomeadamente evitando que os familiares das pessoas que sabem quem criou a empresa “mística”, fiquem no desemprego, ou pior ainda tenham que arranjar um trabalho. Mais uma vez (e com todas as saudades que tenho da Camila, para mim também uma vítima do défice democrático que grassa no país) a incompetência tem direito a subsidiodependência, o que é o resultado do grande desígnio do 25 de ABRIL, ou seja arranjar emprego para os seus filhos, (leia-se filhos do 25 de Abril), naquela que foi a melhor encomenda histórica que os políticos fizeram aos militares, ou seja arranjar maneira deles não terem de trabalhar até à geração que usufruirá da grande falência Nacional, resultado de manter com reformas de luxo aqueles que nem 12 anos trabalharam.

    É de bolo e queima

  12. Sardinha

    É de lamentar tanto mal que se tem feito às poucas árvores da cidade, mas onde hoje há um parque automóvel em Loulé, junto à GNR, em propriedade que foi da Sra Fernanda formada em Belas Artes e do esposo Botânico, havia um parque botânico – se lá forem ainda vêm muitas árvores de qualidades diferentes algumas de muita raridade e a nossa autarquia em lugar de aproveitar o existente, desvastou o que ainda restava desse espaço. Nunca foi falado porque a maioria das pessoas pensariam que eram árvores comuns!! É pena o património que foi destruido. E ninguém falou disto antes porquê? Mistérios!!!………….

  13. Sardinha; você está referir-se a Jardim Bonnet e, de facto tem razão quanto a diversidade vegetal aí existente e à raridade de algumas espécies que o compunham e, ainda razão no facto de lastimar o modo como foi arrasado. Na altura o caso foi criticado pela Almargem e o “sebastião” também se referiu a ele (http://sebastiao.blogs.sapo.pt/28048.html.) (http://sebastiao.blogs.sapo.pt/41481.html) (http://sebastiao.blogs.sapo.pt/636.html) Outros textos de 2005 foram, entretanto, retirados para obtenção de espaço nesse velho blogue.
    Sendo uma propriedade particular que estava no mercado imobiliário à Autarquia apenas se podia criticar a forma como destroçou tudo, à força de retroescavadora e pessoal da Divisão de Obras, para fazer o “Estacionamento Eleitoral” (mera cedência provisória) que ainda se mantém desprezível e árido.
    Foi para acalmar as críticas que a CML prometeu que, num terreiro central, seria feita uma referência ao Eng. Charles Bonnet!

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