Manifesto contra as Portagens


MANIFESTO EM DEFESA DA NÃO INTRODUÇÃO DE PORTAGENS NA VIA DO INFANTE (consensualizado ontem em Faro, na sede da AMAL)

“O actual Governo PS decidiu – com o apoio do PSD – a introdução de portagens na Via do Infante, contrariando anteriores compromissos políticos que vinculavam essa medida à existência de alternativa à Via do Infante.

Os algarvios discordam desta decisão, não porque exijam um tratamento de privilégio, mas por razões técnicas ligadas à mobilidade na região e sobretudo pelas consequências económicas, nomeadamente no turismo.

A EN 125 não constitui alternativa, sendo um dos eixos rodoviários mais perigosos da Europa e cuja requalificação está longe de estar concluída.

O traçado da EN 125 é caracterizado pelo atravessamento de muitas povoações e localidades densamente povoadas, cruzamentos, sistemas de semáforos e passadeiras de peões, e o projecto da sua requalificação prevê a criação de mais 84 rotundas. Em resumo, é muito mais uma rua do que propriamente uma estrada.

Segundo dados actuais do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, na EN 125 ainda continuam a morrer, em média, 30 pessoas por ano, o que significa que é a segunda estrada mais mortífera de Portugal.

Qualquer medida que introduza mais tráfego no canal da EN 125, será gravoso para o quadro actual da sinistralidade rodoviária regional e contribuirá para o aumento – sobretudo no período de Verão – do congestionamento desta estrada, com todas as implicações que daí advém em termos de poluição e de muitas horas de perda de tempo, tanto para os locais como para os turistas. Imagine-se a dimensão que os engarrafamentos em Julho e Agosto poderão atingir, bem como as suas repercussões na imagem e na atractividade da principal região turística do País.

Note-se que no Orçamento do Estado de 2011 refere-se que o valor acrescentado nacional, de acordo com um estudo do Ministério da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento, é de 81,5% nos serviços e turismo, de 36,6% no material de transporte, 42,9% na indústria química, 47% na indústria de máquinas e aparelhos e 64,7% nas indústrias de têxteis e vestuário.

Introduzir portagens na Via do Infante sem a existência de uma alternativa séria para atravessar o Algarve – recorde-se que, face à ausência de modernização da rede ferroviária, também o comboio não constitui uma alternativa credível -, acentuará a sinistralidade e o congestionamento rodoviário, com implicações negativas directas na actividade turística e na economia da região, contribuindo para o agravamento da actual crise.

Neste contexto, considera-se não existirem condições para a introdução de portagens na Via do Infante.”

Faro, 24 de Janeiro de 2011,
Os signatários:

AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve AHETA – Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve ACRAL – Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve AIHSA – Associação dos Industriais Hoteleiros e Similares do Algarve NERA – Associação Empresarial da Região do Algarve CEAL – Confederação dos Empresários do Algarve UGT – União Geral dos Trabalhadores CGTP – Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses CUVI – Comissão de Utentes da Via do Infante

10 comentários

Filed under Algarve, Blogosfera, Cidadania, ssebastiao, Turismo

10 responses to “Manifesto contra as Portagens

  1. Parabéns pelo excelente trabalho que a Comissão de Utentes está a fazer.
    Abraço
    João Martins

  2. Concluída que está a reunião, hoje havida, entre a CUVI e o Dr. Seruca Emídio, presidente da Autarquia Louletana, como membro da Comissão de Utentes, venho salientar a consonância das partes nesta causa Anti-Portagens.
    Com efeito, foi claro o compromisso de resistir pelos meios legais e inteligente contra esta medida que o Governo PS não estava pronto para lançar mas o Presidente do PSD exigiu.
    Foi aplaudida a escolha, da AMAL e das Associações subscritoras do Manifesto Contra as Portagem, de Loulé para realização do Fórum “Portagens no Algarve: Impactos Económicos e Sociais”, no Auditório do NERA em 19 de Fevereiro.
    Assim, esta luta, ganha novo fulgor e passa a contar com aqueles que, por razão das suas funções, conhecem bem o território algarvio.

  3. Corteirense

    O Dr. Bota que levanta bandeiras por lutas de galinhas e galos abafou! É uma pena ver um deputado que se diz defensor do Algarve e das suas gentes calar o bico só porque o Presidente do PSD não aceita o contra nesta matéria. E ele Dr. Bota que nunca nos dez anos de Cavaco, Santana e Durão nunca lhe foi dada uma cadeirinha no poder, baixou as asinhas e ei-lo em silêncio e resignado não vá perder o próximo tachinho que o Coelhinho tem para oferecer aos seus electricos admiradores lá no partido. Esperemos então que esta luta seja vencida pelos algarvios.

  4. Madalena

    Professor Almeida, como entendido na matéria do Ensino, gostaria de saber a sua opinião sobre esta guerra do ensino privado a exigir ao Estado e a todos nós afinal, que lhes paguemos o golf, as piscinas, a equitação e por aí fora. Na minha modesta opinião acho vergonhoso que se coloquem crianças com caixões protestando como se fossem adultos e o que é mais indigno é o facto de instituições religiosas andarem metidas nisto sem o minimo decoro. Espero que venha daí um post sobre esta matéria que diz respeito a todos nós contribuintes. Uma boa noite – Madalena

    • Madalena; talvez escreva sim e expresse a minha indignação por essas ações mas no facebook… No “sebastião” não!
      Nunca o “sebastião” escreveu qualquer texto seu, meramente citou outros ou respondeu a comentadores insistentes. Não será agora que os “negociantes privados” do Ensino levarão o blog a expressar-se em matéria da profissão do seu escriba e contra sua vontade. Este blog é local e versa questões locais, não considera que esse conflito se encontre vivo entre nós. Aqui a Escola pública gere os 80.000 € por turma/ano o melhor que pode e responde às necessidades do território. Existem colégios e sempre existirão, para quem os pode pagar e não gosta da oferta pública, os quais achamos não estarem neste protesto… Em conclusão diremos isto: Deve se limitado o financiamento do Estado aos Privados (em valor igual ao Público) onde não houver oferta do Estado numa distância correspondente à aplicada aos Novos Agrupamentos Escolares!
      E porque, simplesmente, como contribuintes, não temos que pagar as vaidades alheias!

  5. Madalena

    Obrigado por ter expressado a sua opinião. Acho que não vinha mal ao mundo nem a si se a coisa fosse debatida aqui mas o senhor é que é o proprietário deste espaço e faz dele o que bem entender. Mas o que é verdade é que aquela gente que se manifestou com caixões, crianças à mistura e gente da igreja prestaram um mau serviço à nossa Democracia que afinal ainda é uma jovem. Ainda estamos aprendendo todos os dias e alguns parece que nunca chegarão a aprender! Quem quiser que ponha os meninos nos colégios que entenderem mas que não sejamos nós a pagar. E neste caso o Estado tem mais que razão e não pode ceder a mais esta farsa.
    Já basta estarmos a pagar os milhões de milhões dos amigos do Dr. Cavaco Silva. Madalena

  6. Mill

    Concordo plenamente com a Madalena. Não faz sentido que em tempo de apertar o cinto se anda a distribuir subsidios a escolas não oficiais em que os betinhos têm de ser tratados como se fossem de cera. Já estamos a pagar e bem como diz a Madalena por causa dos amigos do Professor Cavaco Silva.
    São tantos milhões que dariam para tapar a estradas de Portugal em notas de cinco euros. O Professor Cavaco ficou muito indignado por se falar deste crime contra a nossa pátria cujos autores deviam ser severamente castigados já que é a maior burla jamais efectuada em Portugal. Mill

  7. Como Ganhar Dinheiro

    Gosto do seu blog porque ele tem conteúdo original, é isso aí!

  8. Letrini

    Ainda a propósito da noite cavacal de domingo:
    Cavaco é o que é. Tragam-lhe a cabeça dos conspiradores, para que o povo de onde lhe vem a força se deleite com a força que julga ter. Veio a oportunidade e emergiu a sede de um sentimento mesquinho (revanche!), mais forte do que a genica de um Presidente reeleito – partilhando a vitória, envolvendo fiéis e adversários no degrau de uma escada íngreme mas vencível. Cavaco preferiu descer à cave que lhe atormenta a cabeça e que, desta vez, lhe atarantou o raciocínio. Ele pensou no que disse e disse o que pensou.
    Raul Vaz

  9. Manoel

    A juntar a este protesto podemos incluir o protesto contra um discurso cruel:
    Almeida Santos fez ainda críticas ao teor do discurso de Cavaco Silva no passado domingo, depois de ter sido reeleito Presidente da República.

    “Houve um aspeto em que exagerou imperdoavelmente. Na noite das eleições, exige-se do vencedor uma atitude de tolerância, mas [Cavaco Silva] fez um julgamento feroz dos seus adversários e foi muito cruel”, considerou o presidente do PS.

    Neste ponto, Almeida Santos aproveitou para frisar que “a crueldade não é uma boa característica de um Presidente da República”.
    Almeida Santos – Agência Lusa

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